Edição Nº. 001 – 22.03.2017

EDITORIAL:

Nesta primeira edição temos as principais notícias e artigos dos principais meios de comunicação do Brasil, além dos sites de cinema. O destaque são as imagens do filme Tungstênio (fotograma em destaque), as alterações na Lei Rouanet e a premiação de Divinas Divas, de Leandra Leal, no SXSW.

Por falar em Ministério da Cultura, a sua ausência foi sentida no encerramento do Rio Content Marketing no último dia 10 de março. Não bastasse a ausência do chefe da pasta de cultura, também faltaram ao encerramento a Secretária Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Nilcemar Nogueira, e o Prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella. O encerramento ficou para o psicodélico presidente da Rio Filme, Marco Aurélio Marcondes, que anunciou um decreto de simplificação das ações da Rio Film Commission, o Rio Mais Fácil Audiovisual. Ou seja…  não se tinha o que anunciar e só anunciou algo por conta do lançamento do aplicativo da São Paulo Film Commission. No âmbito federal era até de entendimento político as ausências, já que o “perigo” das vaias era eminente. Mas do âmbito municipal pegou mal, umas vez que a prefeitura carioca é a principal patrocinadora do evento. E, por fim, a ausência da Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro nem foi sentida, pois pasta já está apagada do meio cultural há bastante tempo.

Ainda sobre o Rio Content Marketing, no dia 9 de março, a coordenadora do AFROFLIXYasmin Thayná. fez uma saudável provocação ao perguntar quem poderia listar 10 realizadores negros no cinema brasileiro, durante uma mesa sobre plataformas digitais. Apenas duas pessoas levantaram a mão, que eu me lembre o Clementino Nascimento e este editor que a vós escreve.

Segue a minha lista de realizadores negros brasileiros: 

  1. Adélia Sampaio – realizadora negra, Amor Maldito é o seu filme redescoberto
  2. Edileuza Penha de Souza – pesquisadora e realizadora negra, Mulheres de Barro é a sua tese fílmica.
  3. Sabrina Fidalgo – realizadora negra, Rainha é o filme mais recente
  4. Jaqueline M. Souza – realizadora negra e editora do portal Tertúlia Narrativa
  5. André Novais – realizador negro e sócio da Filmes de Plástico
  6. Luciano Vidigal – realizador negro, último filme foi Lá do Alto
  7. Luis Lomenha – realizador negro e coordenador do Cinema nosso
  8. Joel Zito Araújo – pesquisador e realizador negro, dirigiu A Negação do Brasil – o Negro nas Telenovelas Brasileiras
  9. Odilon Lopes – realizador negro, dirigiu Um é Pouco, Dois é Bom
  10. Zózimo Bulbul – realizador negro, fundador do Afro Carioca de Cinema

Devo admitir que de cabeça me veio facilmente o nome de 5 realizadores, depois uma confusão entre quem dirigiu e quem atuava. A invisibilidade e/ou mistificação do negro no cinema brasileiro e na cultura em geral é uma construção sólida. No caso de Odilon Lopes, que veio inicialmente como um cinegrafista gaúcho em uma pesquisa sobre o Movimento pela Legalidade, até ser elencado nesta lista.

PANORAMA:

ARTIGOS DE OPINIÃO:

‘Os maiores sucessos do cinema brasileiro nasceram da colaboração estreita entre distribuidores e produtores’

‘O cinema é uma economia criativa, mais complexa que uma indústria de resultados imediatos’

Nunca sei se a Abraccine é uma associação de críticos ou um CTG, no modelo gaúcho, em defesa da tradição.

ANDREA TONACCI (1944 – 2016):

Expediente: Frederico Neto – editor. Este boletim é mantido pela Sangue TV e não tem caráter comercial. Periodicidade: toda primeira e terceira quarta-feira do mês. Envie críticas, correções, notícias ou textos para boletim@produtor.org. Assine e colabore na vakinha.

Ruy Braga: Hegemonia em coxinhalândia

Por Ruy Braga.

A última eleição na cidade de São Paulo serviu para alinhar a conjuntura política municipal ao momento de crise e de radicalização do neoliberalismo em escala internacional. Logo após a cristalização de um golpe parlamentar contra um governo democraticamente eleito, a população paulistana, considerando a notável vitória conquistada no primeiro turno por João Dória contra o ex-prefeito petista, Fernando Haddad, pareceu legitimar a versão mais crua e atualizada do neoliberalismo.

Não podemos negar que o atual prefeito está empenhado em cumprir suas promessas de campanha: acabou de anunciar em Dubai o “maior plano de privatização da história da cidade”. Entre outras medidas, o poder municipal promete transferir para o setor privado até mesmo os dados cadastrais dos usuários do sistema de transporte público da cidade. Mesmo diante da flagrante ilegalidade da proposta, as chances dessa medida prosperar são enormes. A aprovação popular do prefeito tucano é recorde e os adversários da onda privatizante aparentemente encontram-se imobilizados.

Como interpretar essa anomalia? Como explicar que uma agenda política focada na espoliação daquilo que é público receba aprovação popular? Aliás, note-se que as privatizações retornaram com força no país todo devido à crise de endividamento dos governos estaduais com a União. Para cada rodada de renegociação dos Estados com o Ministério da Fazenda, mais privatizações são exigidas e anunciadas. Uma avassaladora onda de mercantilização tem avançado, superando todos os diques e as barreiras de contenção que encontrou pela frente. Afinal, qual o segredo da hegemonia neoliberal?

Logo após o neoliberalismo aportar no país trazido pelo célere governo de Fernando Collor de Mello, publiquei um livro intitulado A restauração do capital (Xamã, 1994) onde argumentava que a globalização neoliberal exigia que interpretássemos as transformações do Estado e da forças produtivas de maneira combinada. Para tanto, sugeri que o conceito gramsciano de revolução passiva poderia ser muito produtivo. Em suma, o neoliberalismo seria uma revolução passiva, ao mesmo tempo econômica e política, capaz de impulsionar uma nova hegemonia.

A hipótese era um pouco exótica e não agradou a quase ninguém. Lembro-me que o grande intérprete brasileiro de Gramsci, Carlos Nelson Coutinho, nunca topou a conjectura, argumentando que a política neoliberal não fazia concessões às classes subalternas e, consequentemente, não poderia ser interpretada na mesma chave teórica da formação do Estado italiano, do fascismo e do fordismo. Não vou detalhar a oposição de Carlito, mas a realidade é que, no Brasil, o Plano Real controlou a inflação, derrubou o preço dos alimentos e, de quebra, produziu uma rápida mudança da norma social de consumo impulsionada pela chegada dos produtos importados.

Após cinco anos de vigência do real, quando o desemprego cobrou o preço da combinação entre câmbio valorizado e sucessivos déficits na balança internacional, gerando um aumento crescente do endividamento externo, as empresas no país já estavam em um ritmo acelerado de reestrutura produtiva nos moldes pós-fordistas e financeirizados. Subitamente, o aumento da competição no mercado de trabalho somado às novas ideologias gerenciais participativas desembocaram na internalização do modelo da empresa pelos próprios trabalhadores. No mundo do trabalho, foi a época em que ninguém mais falava em “operário”, mas em “operador”.

Por outro lado, as forças sociais politicamente organizadas do trabalho tendo o PT e a CUT à frente também passaram por um profundo ajuste ideológico. Acompanhando a progressiva fusão do petismo ao aparelho de Estado por meio de vitórias eleitorais, emergiu a noção de que seria possível mitigar a pobreza por meio de políticas públicas focalizadas ao estilo das propostas do Banco Mundial. Simplificando bastante, o problema da miséria e da desigualdade num país com um passado escravocrata como o Brasil reduziu-se a uma questão de eficiência administrativa. Ou seja, o modelo empresarial foi ganhando os corações e as mentes da própria esquerda cada dia mais refugiada no interior do aparelho Estado.

Dilma Rousseff e Fernando Haddad são exemplos ideal-típicos desse processo de despolitização do social em benefício de uma abordagem gerencial das contradições sociais. Em ambos os casos, eles foram apresentados à população como ótimos “gestores”, não como lideranças de um projeto eminentemente político. A luta política das forças sociais claramente identificadas com a classe trabalhadora foi deslocada para um plano secundário, esvaziando-se em benefício de uma visão mais tecnocrática do desenvolvimento e da justiça social.

Em acréscimo, no caso específico de São Paulo, não devemos nos esquecer que se trata de uma cidade com muitos milhares de pequenos proprietários cujo trânsito da informalidade para a formalidade e vice-versa é regulado pelo nível do desemprego. Em momentos de elevação da desocupação como este que vivemos, com 13 milhões de desempregados no país, aumentam tanto a informalidade quanto a concorrência entre os desempregados e os subempregados. Com isso, as chances de que um grande número de pessoas adira à ideologia do empreendedorismo, fortalecendo a hegemonia neoliberal no seio das classes subalternas, muitas vezes, mediada por denominações neopentecostais, é significativamente maior. Dispensável dizer que isso tende a aprofundar as tendências de despolitização do social e de regressão das formas de mobilização classista.

Em suma, ao terceirizarmos a política social para ONGs pilotadas por pastores evangélicos, ao escondermos os signos do socialismo, ao desvalorizarmos a cultura da classe trabalhadora, a esquerda brasileira acabou cedendo o terreno da luta de classes para o adversário. Sabemos que operário não é operador, assim como trabalhador não é empreendedor. No entanto, a esquerda administrativa parece empenhada em promover exatamente as figuras do empreendedor e do operador.

Pierre Dardot e Christian Laval observam que o neoliberalismo provou sua força política ao fazer com que mesmo seus antagonistas históricos, isto é, os partidos reformistas europeus, aderissem à sua linguagem e aos seus valores, reproduzindo celebratoriamente tanto seus modelos empresariais quanto sua dinâmica concorrencial. O mesmo poderia ser dito a respeito dos governos petistas. Garantir superávits primários, manter a taxa de juros elevada e distribuir renda por meio de políticas focalizadas administradas por organizações sociais são medidas tão neoliberais quanto baixar tarifas alfandegárias para conter a inflação e privatizar o setor de telecomunicações a fim de, supostamente, ampliar a oferta dos serviços para a população. As eras Lula e FHC têm mais em comum do que seus protagonistas gostariam de admitir.

Ocorre que o período marcado pela crise da globalização difere da onda expansiva anterior. Haddad, por exemplo, foi um prefeito desenhado para governar o neoliberalismo no auge do lulismo. Assim como aconteceu com Dilma Rousseff, a imagem do ótimo gestor simplesmente não sobreviveu à recessão econômica. Ainda que, de fato, ele tenha sido um administrador muito mais eficiente do que seus antecessores, como ele poderia sobreviver à atual turbulência econômica e política?

O curioso é que o candidato lulista foi abatido por um tucano meio outsider apresentado à população paulistana como um “João Trabalhador”. Não há vácuo na política e ninguém deixa de ser trabalhador por ser chamado de operador na empresa ou de empreendedor pelo governo. O terreno da luta de classes foi ocupado por um aventureiro especializado em organizar convescotes para os milionários. Ao mesmo tempo em que lidera um programa de privatizações totalmente desavergonhado, ele veste-se todos os dias de gari, jardineiro, pintor de muros, etc.

Trata-se de alguém que explora com perspicácia o espaço vazio da desmobilização política legado pelo lulismo. Ao se fantasiar de trabalhador subalterno, mistura kafkianamente o rosto que os setores médios tradicionais querem ver na prefeitura, com a aspiração popular de se destacar por meio do trabalho árduo. Operário e operador, trabalhador e empreendedor: está tudo mais ou menos misturado no corpo desse empresário-político que supostamente deu duro no mercado antes de se tornar o zelador da cidade de São Paulo.

Apesar disso, é claro que a popularidade do governo municipal tende a cair. A crise econômica é profunda e irá nos assombrar por muito tempo. E precisamos considerar que o desenvolvimento da agenda neoliberal leva fatalmente à mercantilização de bens e serviços, o que tende a encarecer o custo de vida e aprofundar o endividamento das famílias trabalhadoras. Ou seja, mesmo colhendo os frutos semeados pela derrota do lulismo, o prefeito tucano descobrirá, cedo ou tarde, que não é nada fácil reproduzir a hegemonia neoliberal, mesmo que seja em Coxinhalândia.

Fonte: https://blogdaboitempo.com.br/2017/03/06/hegemonia-em-coxinhalandia

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Ruy Braga, professor do Departamento de Sociologia da USP e ex-diretor do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (Cenedic) da USP, é autor, entre outros livros, de Por uma sociologia pública (Alameda, 2009), em coautoria com Michael Burawoy, e A nostalgia do fordismo: modernização e crise na teoria da sociedade salarial (Xama, 2003). Na Boitempo, coorganizou as coletâneas de ensaios Infoproletários – Degradação real do trabalho virtual (com Ricardo Antunes, 2009) e Hegemonia às avessas (com Francisco de Oliveira e Cibele Rizek, 2010), sobre a hegemonia lulista, tema abordado em seu mais novo livro, A política do precariado: do populismo à hegemonia lulista. É também um dos autores dos livros de intervenção Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil (Boitempo, Carta Maior, 2013) e Por que gritamos golpe? Para entender o impeachment e a crise política no Brasil (Boitempo, 2016). A Boitempo prepara para 2017 o lançamento de mais novo livro A rebeldia do precariadoColabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às segundas.

Rogério de Campos: Livros? Para quê? Au revoir, FNAC!

Lembro-me de um hotel em Hong Kong cheio de sacoleiros de rolex. “Lolex, cheap for you, sir” me diziam os meninos em um mercado de Xangai. Não comprei o rolex, mas comprei um relógio que tem o Mao apontando as horas.

Para muitos de nós, do mercado editorial, a China era e ainda é o paraíso dos brindes baratos que irão ser encartados em revistas, o paraíso dos livros infantis cheios de traquitanas e livros coloridos luxuosos cujas fabricações seriam economicamente inviáveis nas gráficas ocidentais. Mas o que mais tem eletrizado os editores do planeta desde o início da Era Chinesa não é o que o China tem a vender, e sim o que ela pode vir a comprar. As possibilidades de um mercado interno com mais de um bilhão de pessoas. Editores do mundo inteiro voam para as feiras do livro de Pequim e Xangai para comprar, mas, principalmente, para tentar vender direitos de publicação.

Durante o governo Lula vi crescer o mesmo tipo de entusiasmo de editores e agentes literários estrangeiros pelo Brasil e pela perspectiva de um grande crescimento do mercado interno do país. Não seria preciso que o brasileiro passasse a ler tanto quanto o francês, ou mesmo tanto quanto o argentino ou o colombiano, mas que lesse um pouco mais do que já lia: isso significaria vários milhões de livros vendidos a mais por ano. E esse movimento de fato começou a acontecer, as pesquisas do Instituto Pró-Livro mostram isso: o número de leitores de livros no Brasil subiu seis pontos percentuais entre 2011 e 2016. Subiu o número de leitores e subiu o número de livros lidos por habitante. Parecia ser apenas o início do salto.

Não sou economista. Sou um comerciante de livros e revistas, e é deste mercado que mais ou menos entendo. Então perdoe minha ingenuidade se digo que daqui de baixo, do meu ponto de vista, tenho a impressão que o que mais abre o apetite da maior parte dos tubarões gringos não é exatamente as riquezas minerais do Brasil. Não as coisas que eles podem tomar daqui para vender em outros lugares. Mas a possibilidade de encontrarem aqui mercado para seus produtos. Pré-sal, uau! Vai garantir que os carros continuem poluindo o planeta por mais algumas décadas, que bacana! Mas a notícia do pré-sal entusiasmou também porque significava a possibilidade de melhorar a renda dos brasileiros e isso resultar em mais consumidores para iphones, carros, nikes, fast-food e, sim, livros. Portanto valia a pena vir para o Brasil.

O Golpe acabou com essa perspectiva. As políticas recessivas tomadas pelo governo anterior, aquele que foi eleito, podiam até ser entendidas como um ajuste temporário. O que está em curso agora é visivelmente outra coisa. A utopia de Temer, Meirelles e os outros coronéis é o Brasil Fazendão tranquilo, no qual eles ficam em cadeiras de balanço na varanda da casa grande enriquecendo com o dinheiro que ganham por arrendaram as minas para os gringos. Um lugar onde não há lugar para sindicatos, partidos de esquerda, CUT, MST, MSTU, feministas, antirracistas, transexuais, pichadores, blogs sujos, secundaristas baderneiros… e a lista de subversivos segue até incluir a maior parte dos brasileiros. Um Brasil cheio de soja e vazio de gente. Onde o termo “inclusão social”, agora quase tão suspeito quanto “luta de classes”, passa a ser apenas uma lembrança desagradável daquele tempo terrível no qual o Brasil vivia sob o jugo do comunismo bolivariano.

O Fazendão ainda há de ser interessante para alguns comerciantes. Para os fabricantes de armas e os vendedores de pesticida para bananeiras, por exemplo. Mas livros? Para quê?

Au revoir, FNAC!

Então agora me lembro do final de uma comédia que assisti em Hong Kong. Os protagonistas encontram um primo trambiqueiro conversando com um estrangeiro e perguntam a respeito do que é conversa.

“Estou vendendo aquela ponte para ele”

“Mas como vendendo a ponte?! Desde quando aquela ponte é sua?”

“Hahaha. Ele não sabe que não é minha. É brasileiro”.

A ponte para o futuro?

*Rogério de Campos é escritor, editor e tradutor. Foi um dos fundadores da editora Conrad, em 1993, e é um dos fundadores e diretor editorial da editora Veneta.

Fonte: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/geral/46516/livros+para+que+au+revoir+fnac%21.shtml

Boletim nº. 000 – 04.03.2017

Editorial:

Tudo tem o seu marco zero, aquele momento em que um ciclo se fecha e outro se inicia. O site produtor.org era um blog – que já foi produtor.info –  agora se torna um boletim digital. O formato é direto e breve, simples e dentro das condições que a precariedade impõem. O boletim busca ser coerente e ter uma periodicidade semanal, colaborativo e aberto ao que vier de críticas e manifestações. Não existe dono da verdade e ela é evidenciada a através da confrontação de ideias, da justa polêmica. E em meio a tanta “pós verdade” na rede, nesta semana que passou foi vinculado em vários sites a equivocada pauta com o mote: “Governo pretende arrecadar 300 milhões do NETFLIX”. A polêmica foi iniciada pelo colunista de fofoca e vida de famosos Ricardo Feltrin.

Explicando: A taxa mencionada é o CONDECINE e o valor aludido é o cobrado por obra a ter estreia na sala de cinema. No caso do NETFLIX ainda cabe uma regulamentação específica, bem como um valor proporcional. A verba arrecadada com o CONDECINE – Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica compõem o FSA – Fundo Setorial do Audiovisual, um dinheiro que volta para o próprio setor e não fica com o governo “malvadão”. A única crítica válida ao CONDECINE é sobre a sua incidência, que não é proporcional. Por exemplo: um filme de orçamento de 100 mil reais, produção de guerrilha, e uma comédia ligeira da Globo Filmes, de uns 5 ou 10 milhões de reias, paga a mesma quantia. O mesmo para um filme que vai para 1 sala de cinema e outro título que vai para 500 ou 1.000 salas.

Informes:

Opinião e Recepção:

Indicamos:

A maior prova que a ANCINE não sabe lidar com a internet: 

Para se ter uma noção maior da tragédia instaurada por uma coluna de fofoca da vida de famosos, leia os comentários no Facebook da ANCINE.

Expediente: Frederico Neto – editor chefe. Este boletim é mantido pela Sangue TV e não tem caráter comercial. Envie críticas, correções, notícias ou textos sobre cinema brasileiro para boletim@produtor.org. Assine ou colabore na vakinha.