4º “Olhar de Cinema”: Considerações Finais.

Por Alexander Aguiar.

Confira nos links abaixo a cobertura completa dos dias do festival.

Olhar de Cinema 2015
Olhar de Cinema 2015

Acompanho o Olhar de Cinema desde sua primeira edição. Seja como membro da equipe, como membro do júri, apenas como espectador e agora na imprensa que cobre o festival, o que posso afirmar de certeza é que em poucos anos ele se consolidou como um dos principais eventos cinematográficos do país. Trazendo ao público uma programação diferenciada, dificilmente encontrada em outros festivais Brasil afora, o Olhar de Cinema também permite a interação entre o público-realizador, através de debates, masterclasses e até mesmo a famosa conversa informal que se estendia noite adentro após a programação oficial.
Após trilhar caminhos experimentais, o Olhar de Cinema parece enfim ter encontrado um caminho próprio a ser trilhado com seus próprios pés. Além das Mostras Competitivas principais, de curta e longa-metragem, outras janelas como a Outros Olhares e a Novos Olhares, apresentam ao público filmes que dificilmente a maioria de nós teria acesso fora de um circuito muito restrito.

O que se pode levar em consideração nessa edição é que a programação foi muito coesa tematicamente, com filmes que por mais plurais que fossem, de alguma forma sempre acabavam por revelar inquietações pertinentes sobre a era contemporânea, sobretudo em temas como solidão, silêncio, incomunicabilidade, pertencimento, imigração ilegal e o senso de vida em comunidade.
Dessa forma, é importante ver como questões dos filmes selecionados para a janela de Clássicos dialogam com a realidade atual, e mais do que poder rever obras-primas na tela grande, nos faz pensar no cinema como um todo, e a forma como ele diariamente se relaciona com a vida para além da arte (embora isso faça com que um questionamento óbvio me venha à cabeça: existe vida para além da arte?).

Um festival que contempla tantos filmes diversos sempre irá deixar alguns espectadores decepcionados dependendo da exibição, mas em um âmbito bastante pessoal, posso afirmar que a programação da Mostra Competitiva de Longas nunca esteve melhor, o que exprime uma maturidade curatorial atingida ao longo dos anos. Por outro lado, a mostra Novos Olhares, outrora minha favorita, que já apresentou filmes fantásticos em edições anteriores como “Para Além Das Montanhas”, “Entre Nosotros”, “The Lifeguard”, “Not in Tel-Aviv”, entre diversos outros, acabou por contemplar filmes com experimentações e resultados relativamente similares na presente edição, o que por vezes jogava contra a expectativa inicial.

De qualquer forma, é sensacional ver o empenho e maturidade de seus organizadores que fizeram com que o festival chegasse ao seu nível máximo mesmo quando as coisas não necessariamente vão bem para a cultura nacional, e isso se prova com o sucesso de público, boa receptividade da crítica e enorme integração entre realizadores e entusiastas, oriundos de diversas localidades do mundo.
O sentimento imediato é o de saudade, e de expectativa para o ano seguinte.

Longa vida ao Olhar de Cinema, e que venha 2016.

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